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FamilySearch: imigração em foco

O FamilySeacrh, a maior ferramenta de genealogia da internet, disponibiliza bilhões de informações que podem ser úteis para determinar trajetória de antigos nazistas e criminosos nazistas após o fim da Segunda Guerra Mundial.

Bruno Leal, Rio de Janeiro – Recentemente, o site de genealogia FamilySearch, criado e mantido pela Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, anunciou a disponibilização gratuita de milhões de documentos históricos brasileiros, entre os quais estão as fichas consulares de qualificação de milhares de imigrantes que entraram no Brasil entre 1938 e 1965. Essas fichas eram produzidas por consulados brasileiros e apresentados ao porto de entrada por estrangeiros visitando ou imigrando para o Brasil. A iniciativa dos “mórmons”, como são conhecidos os fiéis da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, é muito importante para aqueles que se interessam pela trajetória de criminosos nazistas antes, durante ou após a guerra. Além do material produzido noBrasil, o FamilySearch possui documentos de mais de cem países em seu banco de dados, totalizando bilhões de nomes e outras informações.

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Ficha consular do austríaco Franz Paul Stangl, antigo comandante do campo de extermínio de Treblinka. Stangl foi preso em São Paulo em 1967 e, em seguida, extraditado para a Alemanha, onde faleceu na prisão. Fonte: FamilySearch.

O FamilySearch divide e classifica a documentação brasileira em 33 coleções, abarcando um período que vai de 1598 a 2014. No momento em que este artigo é escrito, tinham sido indexados pelo site dez coleções, ou 10.362.187 registros, dos quais 7.191.828 com imagens. A maior coleção se intitula “Brasil Batismos, 1688-1935”, reunindo 3.437.636 registros. A segunda é “Brasil, Cartões de imigração, 1900-1965”, com 3.256.954 registros. Além das fichas e de registros de batismos, o FamilySearch digitalizou e disponibilizou imagens de sepulturas, certidões de casamentos, certidões de óbitos, registros civis, de sepultamento e variados registros da Igreja Católica. A ferramenta é grande ajuda para quem estuda temas relacionados a imigração, escravidão e populações indígenas.

O que eram as “fichas consulares”?

A exigência das fichas consulares de qualificação tem início com a entrada em vigor do Decreto-Lei Nº 30.010, de 1938, em 1939, assinado pelo então presidente da República, Getúlio Vargas. A sua obrigatoriedade deve ser vista como parte de um conjunto mais amplo de procedimentos burocráticos criados pelo governo brasileiro para controlar todos os aspectos possíveis da entrada de estrangeiros no país. Tal preocupação está intimamente relacionada com o contexto histórico internacional. No final dos anos 1930, mediante a intensificação da perseguição nazista na Europa, o número de refugiados aumentou de maneira expressiva. Diariamente, centenas de pessoas procuravam os mais diferentes consulados na Europa em busca de um visto, especialmente judeus, perseguidos pelos nazistas. O Brasil, tal qual Estados Unidos e Argentina, entre outros países não-europeus, foi muito procurado. Esse modelo de ficha consular foi mantido até meados dos anos 1960. Para conhecer o FamilySearch, clique aqui.

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